quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

APRENDENDO A SER SERVO DE DEUS

Texto de: Elmando V. de Toledo 

Uma das histórias mais bonitas da Bíblia é a história de José, filho de Jacó, ou, José do Egito, como costumamos a chamá-lo. A sua história é cheia de lições que podemos aplicar em nossa vida. A história fala que José era um dos filhos mais novos de Jacó e gozava de muita estima de seu pai, cujo já o tinha  escolhido para ser o seu sucessor na tarefa de liderar a Tribo a qual eles pertenciam. Não só era a vontade de Jacó, mas também era vontade de Deus. Contudo, a inveja de seus irmãos levaram-os a fazer algo repugnante: não tendo coragem de matá-lo, lhe fizeram uma armadilha: depois de espancá-lo deixaram-o preso no fundo de um buraco.Voltando à casa de seu pai, (que era idoso e já não enxergava),  tendo antes sujado as roupas de José com sangue de animal, disseram ao pai que José tinha sido morto atacado por feras. Depois de alguns dias venderam-no aos mercadores que revenderam-o no Egito como escravo. Funciona bem o ditado: "Deus escreve certo por linhas tortas", pois Deus havia-lhe designado uma nobre missão. José não teve medo enfrentou a realidade e soube tirar dela uma grande lição. Sua fidelidade a Deus trouxe-lhe de momento, alguns sofrimentos, mas depois José se tornou um grande homem, um político exemplar e um servo obediente à palavra do Senhor.


Lá no Egito como todos sabem ele trabalhou duro, mas nunca perdeu a fé em Deus nem a fé de reencontrar sua família. E mais ainda, carregou por anos o desejo de rever e perdoar seus irmãos pelo que fizera com ele. Envolveu-se em uma trama com a mulher do administrador do palácio do Faraó, Putfá. Esta, não conseguindo o que queria, (assediando sexualmente José), acusou-o falsamente de assédio cometido por ele; José foi preso, passou agruras, mas como ele era assistido e escolhido por Deus nada lhe aconteceu. Tudo que ele tocava, diz o escritor sagrado, prosperava. Era um homem honrado, corajoso e temente a Deus.


José assistido pela graça de Deus, ajudou o Faraó a interpretar seus sonhos, e assim, o Faraó lhe tinha em grande estima após se livrar dos tormentos que passava por não saber o significado daqueles sonhos. Anos de penúria viria assolar aquele País. E coube a José com sua inteligência e com o poder de Deus tomar as medidas cabíveis para evitar um mal maior.  


O Faraó fez de José seu representante e ele tornou-se governador do Egito, e ajudou o Faraó a vencer a terrível fome que assolava aquelas terras. No entanto, (nos planos de Deus), seus familiares, desesperados pela miséria e a fome, foram buscar ajuda no Egito; buscavam obter recursos e sustento para eles e seus animais, e encontraram a misericórdia de José, que a princípio negou e lhes deu uma lição, mas depois os acolheu, perdoou e os ajudou. (Cf. Gên37:39:41:42:43:44:45:46:47) 


Vale a pena ler e se encantar com esta história. Certamente é um conto de aventura, a saga de José do Egito.

Mas... o que podemos aprender com esta história?


Deus nos dá tudo, mas pede que sejamos leiais a Ele, obedecendo e cumprindo sua Lei. Temer a Deus não ter medo de Deus, é obedecer a Deus, cumprir o que foi determinado por Ele.


Nós somos seres únicos, passamos por este mundo, cada um com uma missão a cumprir. Assim como José foi abençoado, todos somos abençoados por Deus e cada um de nós temos o dever de reconhecer este amor tomar posse desse amor. Mas sobretudo, entender que estamos dentro de uma só família, somos filhos de Deus, não importa a cor, raça, religião e partidos a que pertença. Todos somos filhos de Deus. Se o mundo está passando por uma crise, não obstante dizer que é a mesma daquele tempo de José, fome miséria, violência, é porque estamos agindo do mesmo modo que agiram os irmãos de José, não estamos nos considerando como irmãos. O pecado do orgulho, da avareza  e da inveja está sempre presente hoje mais do que nunca.

Por outro lado quem se propõe a cumprir a Palavra de Deus sofre  perseguições, calúnias e a todo momento surgem pessoas capazes fazer diversas acusações com o desejo de impedir com que a graça de Deus aconteça. E não estão sozinhos pois tudo isso também tem o dedo de satanás. Mas Jesus nunca disse que seria fácil para nós. Pelo contrário a realidade é outra., E assim puderam comprovar os santos(as) neste mundo. Mas ser leal a Deus é: mesmo diante das dificuldades reconhecer que existe um Deus que não podemos abandoná-lo. Existe um Deus que está conosco e fala por nós. Diante deste amor para com Ele é que assim como José, nunca podemos curvar aos poderes, aos ídolos deste mundo: o ter, o prazer e o poder.

Assim como nos tempos de Jacó, há sede e fome, muito maior do que naqueles tempos: o mundo inteiro passa por uma crise, tem fome e sede de Deus. E não acham rumos nem caminhos que os levem a experimentar esse Deus, porque assim como faltou amor de seus irmãos para com José, também falta amor entre as pessoas que talvez possam até professar uma mesma fé, uma crença religiosa, mas não única verdade: Deus é Pai de todos, assim falou Jesus: "Pai Nosso!" - que adianta chamar a Deus de pai se não nos reconhecermos como irmãos?  Se Jesus mandou-nos anunciar esse amor, porque muitos se sentem no direito de ter o monopólio de Deus?



Outra lição desta história: diz o texto que o que mais impressionou o Faraó é que tudo que ele fazia prosperava, porque acontecia isto? a resposta é simples:


Porque José era fiel a Deus. Ele se recusou em ter relações com a esposa da pessoa que mais lhe ajudou, o administrador do Faraó, era leal aos amigos. Tinha amor aos Mandamentos de Deus que ele carregou consigo no coração. José era um homem simples mas de princípios e sabia que servir a Deus era mais importante e lhe bastava. Por isso, por essa fidelidade, possuía as bênçãos de Deus e tudo que tocava e fazia, prosperava. Falta-nos isso hoje, estamos sendo leal a Deus? se dissermos que amamos a Deus, porque então em nossa vida não há prosperidade?... 

Outra lição que esta história nos ensina é:

uma semente pecaminosa que existe desde o princípio, cuja é a raiz de todos os outros pecados: a inveja, ela é a mãe de todos os pecados. Por quê? 

- Porque foi ela quem levou Lúcifer a ser expulso do céu  e este se tornou satanás, ( isto é um anjo mau ou caído); foi a inveja de satanás que fez nossos primeiros pais a serem expulsos do Paraíso, (queriam ser iguais a Deus); Por inveja, Caim matou seu irmão Abel; a mesma inveja que fez seus irmãos traíssem Jacó e José do Egito; e por fim: foi por inveja que também crucificaram Jesus Cristo.

Essa semente maligna está dentro de cada um, nasce com cada um de nós. Mas cabe a nós decidirmos a não deixar que ela cresça, forme raízes profundas até que nos sufoque. A inveja é como uma planta daninha, a princípio, muito frondosa e bonita, mas depois ela mata a árvore frutífera, seca a seiva da árvore, até que ela morra. E, por mais que se adube, sem arrancar as raízes não adiantará nada. Assim é a inveja. Ela cria suas raízes: a primeira raiz é a ambição, a segunda raiz é a traição ou deslealdade, a terceira raiz é a falta de amor, a quarta raiz é a busca de facilidades, a quinta raiz é a busca do poder a qualquer custo; a sexta raiz é o prazer (para satisfazer os caprichos humanos); a sexta raiz é o egoísmo (falta de solidariedade), querer tudo pra si, só pra si mesmo e nunca repartir com os irmãos mais necessitados; a sétima raiz é a mentira. Quantas pessoas mentem por inveja para prejudicar os outros, são os chamados "puxa-sacos". A oitava raiz é a vingança, por inveja os seres humanos não medem consequências de seus atos, e quando não  encontram apoio, ou são menosprezados, ou ao verem o sucesso do próximo, ou ainda, são agredidos em seus orgulhos (o famoso "dedo na ferida"),  sempre dá um jeito de pagar o mal com outro mal ainda maior, ou mesmo dá um jeito de fazer com que aquela pessoa seja de algum modo prejudicada. Ou ainda, agem com violência, física, mental, moral e social. A nona raiz ausência de valores e bons sentimentos. Uma pessoa inveja não se contenta com nada, passa por cima de tudo e de todos para conseguir o que quer, até em cima das leis de Deus.

E a décima raiz: a inveja faz com que a árvore da vida, que Deus deu pelo Batismo para santificar o corpo e a alma, pela planta daninha da inveja essa árvore morre e sufocado pelas constantes ações da "planta daninha" que é a inveja, até que morrendo o corpo, a alma também sem Deus, sem Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida. A alma sofre a morte eterna. E como toda planta que não deu fruto, agora se tornará lenha, e lenha serve pra ser queimada. Ou seja, pela inveja a alma vai para o inferno! 


Se quisermos ser felizes temos que ser como José foi. Não interessa onde quer que você está temos que ser fiel a Deus. Seguir o que Jesus e a Santa Igreja nos pede. Onde quer que vamos. José testemunhou diante do Faraó, (que era tido como um deus), que só se curvaria e adoraria seu Deus Verdadeiro, o Deus Javé, de Israel. Cumpriu os Mandamentos, serviu seu povo, amou os seus irmãos, também os perdoou. Talvez não se revoltou mais, porque sabia que se não fosse pelo acontecido, talvez seus pais e seus irmãos morreriam de fome. Mesmo não entendendo os planos de Deus, ele não se revoltou contra Deus Nosso Senhor. Pelo contrário foi fiel, manteve-se fiel aos olhos dos homens e de Deus. Quando tudo parece derrota e sofrimento, Deus ergue os justos e lhes dá proteção. Jesus Cristo mesmo disse: "Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado!" - Para um servo de Deus não existe sofrimento e sim uma grande alegria em saber que Deus prefere os pequeninos, os humilhados. Ele mesmo se humilhou numa cruz por nós. Deus também ama aqueles que lhe são fiéis. Assim ele fez de José um exemplo para seu povo. E por fim a última lição que esta história nos apresenta é que: Quando se é escolhido poe Deus mesmo que todas as forças sejam contrárias, não é capaz de impedir que Deus realize seus planos. O que de início parecia uma derrota para José, se tornou glória, alguém que seria o "salvador" de Israel no futuro. Esse José do Egito, como o chamamos, prefigura o Messias, onde O Divino Salvador viria libertar a humanidade do pecado e resgatar as almas para Deus.  Jesus usou de toda coragem, de toda lealdade ao Pai para nos salvar.  

E você olhando para a sua vida agora... responda para você mesmo:
  1. Existe lealdade para com Deus em seu coração?
  2. Você tem sido um bom servo de Deus?
  3. O que essa história pode ajudar a melhorar sua vida e sua relação com Deus?                                     

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

PORQUE JESUS FAZIA MILAGRES?

Os milagres estão intimamente associados à missão de Jesus, a tal ponto que, negados os milagres, se nega a própria identidade de Jesus. Os Apóstolos, desde as sua primeiras pregações, apresentaram Jesus como autor dos milagres (Cf. At2, 22 e 10, 38).

Os milagres estão de tal modo inseridos na trama da missão de Jesus que sem eles não se explicariam a admiração e o entusiasmo que Jesus suscitou desde o início de sua missão pública. Jesus falou mediante palavras e sinais, como bem dá para entender Mateus ao sintetizar a vida pública de Jesus: "Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho e curando todas as doenças e enfermidades" (Mt9, 35 e 4, 23).



São Mateus no seu Evangelho, nos diz que Jesus mesmo explicitou o significado de seus milagres:
    João o batista manda seus discípulos perguntar a Jesus: "Sois vós aquele que deve vir ou devemos esperar outro?" Jesus responde apontando seus milagres: "Os cegos recuperam a visão, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados". (Mt11, 2-6); Com outras palavras Jesus diz que está cumprindo as profecias  messiânicas, que identificam o Messias mediante a realização de sinais e prodígios.  ( Cf. Is26, 19;29, 18; 35, 5s; 61, 1). Por conseguinte, segundo Jesus os milagres vem a ser os sinais de que ele é o Messias.
    Jesus responde aos fariseus: "Se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então o reino de Deusjá chegou até vós!" (Mt12, 28) - Neste caso, os milagres são os sinais de que reino de Deus já chegou à Terra. Com efeito, dominando os males físicos (doenças e achaques), e morais (o pecado) dos homens, vencendo a própria morte, Jesus mostra que, na sua pessoa e nas suas obras, o reino de Deus se faz presente e atuante neste mundo. Assim os milagres se inserem harmoniosamente na pregação de Jesus, comprovando-a e autenticiando-a.
    Jesus começou a verberar as cidades onde tinha feito a maior parte de seus milagres, por não terem se arrependido: "Ai de ti Corazim!  Ai de ti Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam se arrependido, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas eu vos digo: No dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós. E tu, Cafarnaum, por acaso te elevarás até o Céu? Antes, até ao inferno descerás . Porque se em Sodoma tivessem sido realizados os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Por isso digo que no dia do Juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti!" (Mt11, 20-24) - Destas palavras de Jesus se depreende que os milagres foram efetuados em Corazim, Betsaida e Cafarnaum precisamente para que tais cidades se convertessem, compreendendo a irrupção do tempo messiânico. Os milagres, são pois apelos os sinais eloqüentes  pelos quais Deus chama os homens a passar  dp pecado para vida nova. Os milagres evidenciam a identidade de Jesus. Ao vê-los os homens perguntam: "Que é isso, como manda até mesmo os espíritos imundos lhe obedecem!" (Mc1, 27). Ou ainda: "Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?" (Mc4, 41).  

    Algo de inédito aparece entre os homens, ... este inédito é o Messias assinalado por suas obras.
    São Tomás de Aquino escreve que Jesus fazia milagres para comprovar sua divindade. Isto porque Jesus fazia milagres de uma forma nunca realizada antes. Realizava milagres por natureza própria. Jesus operou milagres que ultrapassam todas as virtudes criadas. Apenas um Deus pode fazer o que Jesus fez. Então Jesus é Deus.

    Jesus ainda realiza milagres sem consultar ninguém. Jesus os fazia com seu próprio poder. O Evangelho diz: "Saía dele uma virtude que curava a todos" (Lc6, 19).

    São Cirilo nos diz sobre Jesus: "Jesus não recebia poder alheio. Ele sendo Deus por natureza, manifestava o seu próprio poder sobre os enfermos e por isso fazia incontáveis milagres".   

    São Mateus afirma: "Expulsava com uma palavra os espíritos e a todos os que sentiam mal os curava". (Mt 8, 16); Jesus operava milagres porque eles autenticavam sua doutrina. 
    E, vamos refletir mais um pouco sobre a maneira de agir de Jesus como taumaturgo:

    Jesus nunca realizou milagre em seu proveito pessoal. Para por em evidência ou para sair de uma situação embaraçosa. Sofreu fome, sede, cansaço, dormia onde encontrava, sem ter onde reclinar a cabeça; quando foi aprisionado por seus inimigos, nada fez para se libertar ou escapar da morte humilhante na cruz.

    Pregado no madeiro, seu poder foi ironicamente desafiado, seus adversários queria vê-lo se libertar daquele sofrimento e até mesmo da cruz. Mas, não o quis. Diziam: "Se tu és mesmo o Cristo, salva-te a ti mesmo, se és o rei de Israel, desce da cruz, para que vejamos e acreditemos." (Mc15, 31) - Jesus quis parecer fraco e impostor aos olhos de quem o desafiava.
    Jesus não ambicionava sucesso, nem benefícios materiais. Ao contrário, proibia as pessoas que apregoassem sua obra. Assim por exemplo, "após ressuscitar a filha de Jairo jesus, recomendou que ninguém viesse a saber o que tinham visto" (Mc5, 43).

    Após a cura do surdo-mudo, Jesus recomendou que não dissessem a quem quer que fosse (Mc7, 36). 
    O silêncio imposto por Jesus visava impedir o equívoco dos judeus sobre a messianidade de Jesus. Eles poderiam julgar  que Jesus viera para resolver problemas de ordem política e material e dar a Israel a hegemonia sobre os demais povos. 

    Jesus não realizava milagres para punir. Jesus veio para salvar e não para destruir, (Lc9, 54s). Por isto não é condizente atribuir-lhe a vontade de prejudicar as pessoas, ainda que fossem pagãos, como os gerasenos. O autêntico espírito de Jesus se revela quando os filhos de Zebedeu quiseram baixar fogo dos céus sobre os samaritanos inóspitos. "Jesus os repreendeu", e, conforme alguns manuscritos disse: "Não sabeis que espírito sois, pois o Filho do Homem não veio para fazer perder a vida dos homens, mas para salvá-las!" (Lc9, 54s) 

    Jesus efetuava milagres com grande simplicidade, sem recorrer a fórmulas mágicas, nem a ritos complexos. Bastava uma palavra, com autoridade, como no caso da cura do leproso: "Quero ser curado!" (Mc1, 40-42) - ao paralítico disse: "Eu te ordeno: levanta-te toma teu leito e anda!"  - (Mc2, 12); Ao homem que tinha a mão seca disse: "Estende a mão!" (Mc3, 5)e a mão ficou curada. 
    Ao acalmar o mar revolto, imperou: "Silêncio!, acalma-te! logo o vento cessou e houve grande calmaria. (Mc4, 39)

    Jesus não fazia alarde nem publicidade de seus milagres; antes, era muito discreto e reservado. Não se apresentava como um taumaturgo, nem procurava doentes para curá-los; eram estes quem vinham até ele  ou eram levados por outros. Simplesmente, acolhia a todos, salvava, os curava e os ajudava.   
        
    Texto de: Pe. Francisco Sehnem, scj

    OS MILAGRES SEMPRE TEM UM PROPÓSITO

    Os milagres sempre tiveram e terão um propósito: fazer com que o poder e o amor de Deus seja reconhecido e, através dele, possamos de certa forma, aumentar a nossa fé, ou nos convertermos melhorando nosso relacionamento com Ele.
    Quando Jesus perdoou a mulher adúltera ele disse: "vai e não peques mais!" - este pedido de Jesus está se referindo à conversão profunda do ser frágil, atribulado pelo pecado.


    Estar ao lado de Deus sentir o seu amor, viver este amor a cada instante é um milagre, mas, exige de nós uma certa firmeza de princípios.
    Deus está pronto para nos ajudar de uma forma ou de outra, ou como diz o velho ditado: "Deus escreve certo por linhas tortas", é um ditado que usamos sempre para expressar que Deus usa maneiras e métodos que mais lhe aprouver para nos fazer com que tenhamos uma vida espiritual e física melhor. E as vezes para Deus nem sempre, se livrar de um sofrimento ora é de sua vontade, se, ele nos servir para a educação do nosso ser espiritual. Porque digo isto? - porque vejo muita gente dizer: "Deus se esqueceu de mim","Deus não me atende", "Onde está Deus?" etc. Na verdade Deus, através de Jesus nunca se esquece de ninguém, mas, às vezes aquela graça, aquela ação de Deus não acontece de momento porque o propósito de Deus é outro. 


    Hoje vemos muitos pastores evangélicos pregarem que devemos determinar a Deus uma cura ou um milagre. Isso é uma afronta ao poder de Deus. Agindo assim queremos forçar o poder de Deus a uma situação que Ele poderá nos atender, mas estamos desviando de seu propósito. Além do mais não podemos achar que Deus é um empregado nosso que obedece as nossas ordens. 
    Mas aí perguntamos: se é assim porque rezar e pedir? porque é assim que funciona. Somos filhos de Deus, devemos pedir ao Pai não com exigências, como adolescentes que querem tudo certinho na hora. Não é assim, Deus sabe muito bem como agir e porque agir na hora certa. Jesus mesmo disse quando nos ensinou a Oração do Pai-Nosso: ..."seja feita a tua vontade..." quer dizer, devemos aguardar a vontade de Deus, porque Ele sabe o momento para o qual se destinará a graça. De nada adianta conseguir um milagre, se este não servir para nossa santificação, nossa conversão. 


    Também devemos fazer da nossa parte. Por exemplo:
    Você pede a cura para uma determinada doença, mas abandona o tratamento, ou faz tudo ao contrário do que o médico recomendou, adiantará Deus ter te curado? A doença não voltará novamente por irresponsabilidade sua?


    O aluno pede a Deus a graça de passar em uma prova, mas ao invés de estudar, procura noitadas, baladas, adiantará  alguma coisa?...


    A moça (ou o rapaz) pede a Deus a graça de arrumar um marido (ou uma esposa), se casam e daí a pouco vem as divergências, as complicações de todo casal. Não seria melhor pedir a Deus a graça de um bom casamento, luz, temperança e um santo lar?...  


    A mãe pede uma gravidez, um filho, mas se conseguir não se torna uma boa mãe, agride os filhos, não tem paciência, etc. De que valeria mais pedir um filho ou a graça de uma ser uma boa mãe?


    Pois é Deus sempre pensa primeiro, vê primeiro, conhece nossas intenções, e, muitas vezes é difícil aceitar a sua vontade. E olha, isso está se tornando uma coisa muito comum. Certos "líderes" religiosos dizem que não, que não devemos aceitar a vontade de Deus, que devemos determinar que Deus faça a cura, o milagre... mas para um bom cristão, aceitar a vontade de Deus, não é se acomodar com a doença, com o sofrimento. Pelo contrário é antes de tudo, buscar mudança de vida física e espiritual, buscar um novo meio de vida dentro dos princípios que Jesus nos ensinou. A qualidade de vida do bom cristão está em primeiro lugar, seguir Jesus, fazer cumprir a sua vontade. Jesus mesmo disse: "De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?" -  é assim mesmo, toda e qualquer ação divina em nossa vida parte do propósito de que Deus quer que salvemos nossa alma. 


    As vezes pensamos ao contrário e por isso nos revoltamos contra Deus. Contra a Igreja e contra Jesus. Impedindo o Espírito Santo de entrar em nossa vida e fazer sua obra necessária à nossa santificação.


    Para o bom cristão a Oração não é determinar a cura e sim, pedir a graça, mas aceitar o que Deus tem de melhor no momento para nos oferecer.
    Hoje, vemos muitos casos de depressão. Porque isto acontece? - os médicos dizem que é o mal do século. A depressão está ligada a sentimentos que muitas vezes no profundo do ser, a pessoa se deixa levar por eles, guarda muitas coisas. Pensa em muitas coisas ao mesmo tempo. Se preocupa demais com a casa, com os filhos, consigo mesmo. Acarretando para si problemas dos outros. Quando vê seu coração está cheio de coisas que não prestam. As consequências são dores musculares, desejo de suicídio, problemas de coração, pressão alta, e até mesmo a loucura. 
    Mas se formos analisar, toda pessoa deprimida, está carente do amor profundo de Deus, afastada de sentir e ser conduzida por este amor. Muitas vezes a família quer que o ente se liberte daquele problema, mas se esquece que a graça de Deus para esta cura é tão simples: está em sentir, e fazer uma experiência de amor com Ele e com a Comunidade de Jesus. Quem vive para Jesus não dá lugar para depressão. Onde está o milagre aqui?... está em se libertar dos sentimentos ruins e das coisas deste mundo, e nestes casos, precisa de um empurrãozinho nosso. Se libertar das coisas significa optar por viver uma comunhão com Jesus Ressuscitado. E a Eucaristia tem este propósito, Jesus quer ser íntimo a nós. E Jesus mesmo ensina:


    "Não vos preocupais com o que havereis de comer ou vestir. Olhai os pássaros, eles não plantam, não ceifam e no entanto, tem sempre o que comer! Olhai os lírios nem mesmo as vestes de salomão possui tamanha formosura! - se Deus cuida dos pássaros e faz a brancura dos lírios dos campos, o que não poderá fazer por você que é seu filho?  


    Eis aí o maior amor de Deus. Deus sempre cuida de nós. Os milagres não são mais ou menos importantes, "se", compreendermos bem o que Deus tem para cada um de seus filhos. - PENSE NISTO! - Muita gente ao invés de crer em Jesus porque ele é o Filho de Deus, prefere um Jesus ou um Deus milagreiro que deve resolver os problemas que, muitas vezes é de responsabilidade nossa resolvê-los. Quem procura um Deus milagreiro que satisfaz seus desejos e caprichos,vive sempre pulando de "igreja" em "igreja", e, mudando de opinião e religião. Em primeiro lugar o que devemos buscar de Deus através de Jesus não são os milagres, mas  o seu reino. Jesus disse: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado!" - Assim quem procura mais milagres que viver o seu evangelho acha que Deus está pronto a satisfazer tudo aquilo que por incompetência humana não é capaz de realizar.
    O maior milagre que Deus fez para nós e, muitas vezes não somos agradecidos, é a graça de viver, de poder experimentá-lo, o segundo é a Eucaristia, Deus-presente nas espécies de pão e vinho, o terceiro é a graça de sermos salvos por Jesus. Os outros milagres ainda que sejam necessários não são maiores nem mais importantes que estes.
    Antes de pedir uma graça a Deus, verifique se você precisa mesmo desta graça, ou se fazer a vontade de Deus é o melhor no momento. Verifique se aquele pedido não é um pedido egoísta. Porque falo isto? porque tem gente que quer que Deus faça um milagre, e até o ajude a ficar rico ganhando em jogos. Ora não é melhor trabalhar ser feliz e contentar com o que se tem? - Outros pede a cura de um câncer, mas não para de fumar, ou não se previne. Outros ainda querem ser curados de uma paralisia, mas ainda que Deus atenda abandonam a sua fé. Ou pede a Deus a graça de conseguir um emprego, mas não sai à procura. 
    Outros fazem tantas promessas, mas não prometem a Deus seguir, e nem seguem o seu Evangelho, então querem apenas que Deus resolva, faça um milagre de forma egoísta. Deus não satisfaz nossos caprichos. 


    Texto de: Elmando Valeriano de Toledo                                  

                                        

    sexta-feira, 25 de março de 2011

    SÃO JOSÉ, UM EXEMPLO DE PAI E HOMEM DE FÉ

    Tantas vezes escutamos falar de São José, esposo de Maria. Mas como entender quem foi este homem?

    A Bíblia no Novo Testamento, apresenta muito pouco a fisionomia desde homem, quase oculto sem muito destacar sua biografia, assim também, a biografia Maria não aparece muito. Mas a chave para entender sobre a pessoa de José, está no Evangelho de Mateus 1, 16.18-21-24a.

    Quem era José?

    José era descendente do Rei Davi, portanto era de família nobre, embora fosse um homem simples. Um judeu que vivia em Nazaré, assim como Maria. Tão puro e dedicado a Deus. Era um valoroso varão, carpinteiro e obediente ao Senhor. 

    Convicto em suas atitudes, reto em seus pensamentos, justo sábio e trabalhador. Estava prometido em casamento à Maria. Porque os casamentos naquela época eram decididos entre os pais dos noivos e, desde criança, já sabiam qual era o seus futuros pretendentes. Nos casamentos dos judeus, os noivos se preparavam ao longo de uma juventude inteira, havia uma semana de preparação, com rituais e festas, cantos, muita alegria. A moça conhecia bem o seu noivo. 
    A noiva não podia estabelecer nenhum vínculo com outro homem, pois se já era noiva, corria o risco de ser acusada de adultério. A pena era morrer apedrejada.  A moça deveria se casar virgem e essa norma era muito rígida. Não acontecia como acontece com os nossos casamentos hoje, mas era cheio de rituais de festas preparativas e oração e cantos. As famílias celebravam com grande júbilo a união dos nubentes. Havia uma benção pré-nupcial que se estendia até o dia do casamento. Até hoje entre os judeus esta cerimônia é muito bonita e muito tradicional. Após o nascimento do primeiro filho, que deveria ser apresentado no Templo ao sacerdote juntamente com uma oferenda. Naquela época não existia o batismo, e sim a circuncisão que tornava a criança um judeu, descendente de Abraão e pertencente ao povo de Israel.     

    Quando Maria foi vititada pelo anjo Gabriel, ela mesma não enteneu como daria à luz a um filho, pois, ainda não tinham se casado. Em Lucas1, 34 ela disse: "como acontecerá isso se não conheço homem algum?" - esse "conhecer"  de que Maria fala é o ato sexual. Em outras palavras: "como se fará isso se ainda não me casei?" 

    Mas então o Anjo explicou à Maria que Maria, ela seria a mãe do Filho de Deus, sua gravidez  não seria da mesma forma que a humana, por um comum ato sexual e sim, por intervenção da Obra Divina. Maria entendeu no momento, mas não imaginava as consequências que isto traria para sua vida, mudaria tudo. Mas imaginemos depois daquela visão, já com os "pés no chão", como foi explicar essa gravidez para sua mãe Ana e seu pai Joaquim. Não foi fácil convencer de que tudo aquilo era verdade. Para o povo judeu, o Messias devia nascer entre os nobres. Pois eles esperavam não um salvador dos pecados, mas um rei que assumiria como poderes divinos a trono de Davi perdido pelo Império Romano. E esse rei deveria libertar Israel com forças especiais de Deus a opressão do Império Romano. Jesus era da família de Davi, mas aquela pobre família de Nazaré não tinha nada de especial aos olhos dos nobres daquela época. 

    E a José? como explicar, como fazê-lo entender tudo isso?


    À princípio ele não entendeu mesmo. Mas... cheio de bondade e misericórdia, mesmo achando que foi traído, resolveu abandonar Maria secretamente. Para José, um homem simples, acostumado com a dureza de seu trabalho, não era nada fácil entender o por que que justamente sua noiva foi escolhida por Deus para ser a mãe do Messias. Não! isso não era cabível de entendimento. Mas a bondade e o amor de José, o fez tomar uma atitude de nobreza. Pensa José..."Se eu amo tanto Maria, não posso deixar que ela seja morta apedrejada!"

    José secretamente vai embora desiludido, mas com um imenso respeito e amor pela vida de sua mulher, e mesmo naquela hora sem saber, um profundo respeito pelo que ela já carregava em seu ventre, Jesus Cristo.
    E José foi recompensado, certa noite, enquanto dormia, viu o Anjo do Senhor dizer: "José, filho de Davi, não temas em receber por esposa, pois ela dará a luz a um filho e tu porás o nome de Jesus..."
    E foi o que ele fez, assumiu profundamente sua missão, na sua simplicidade, com um amor e respeito imenso e profundo naquela missão, protegendo Jesus, cuidando de Maria estabelecendo um lar santo e digno para receber o Filho de Deus. Nada melhor que José. Deus o escolheu, assim como escolheu Maria com o mesmo propósito, Jesus precisava enquanto homem de um pai, que lhe educasse e lhe desse amor e carinho. Formando a Sagrada Família de Nazaré.     

    José, acreditou em Deus, teve fé, não hesitou,  levantou-se correu à Maria e a aceitou. Na certa, o amor dos dois era tão grande que entre os olhares falaram mais  de mil palavras de amor um poara o outro. E assim segue a saga deste homem. 
    Ele assiste Maria na sua gravidez, assume ser o pai adotivo de Jesus, lhe dá toda educação possível, ensina-lhe toda a Lei de Moisés, lhe dá todo carinho e atenção de paz enquanto homem lhe ensina sua profissão, ser carpinteiro, ganhar algum trocado. Jesus por José, também era antes de tudo, um operário como seu pai. 
    Talvez, imaginemos, que as muitas parábolas que Jesus contava, já as tivesse ouvido de seu pai adotivo, José e, depois de certa forma, as teria contado juntando a simplicidade delas para mostrar seus ensinamentos. 
    Jesus, ao contrário do que muitos pensam, foi um homem como outro qualquer em tudo, menosno pecado. Ele se indentifica com seu pai José, quando fala aos pobres, aos simples, e quando ama o pecador. Jesus herdou um pouco do amor de José, mesmo que não fosse seu filho de sangue. 

    E aí está a participação de São José na vida de Jesus. Tanto que mais tarde, quando Jesus vai à Nazaré, agora como enviado do Pai, depois de estar na sinagoga, alguém vai dizer: "este aí não é o filho de José o carpinteiro, como é que pode falar essas coisas?"...

    Ah! como seria bonito se todos os pais seguissem o exemplo de São José.  
    As imagens mais comuns que encontramos nas igrejas, mostram José, um homem aparentando ter entre 40-50 anos, com o Menino Jesus, apoiando Jesus com a mão direita e na mão esquerda um galho com um lírio branco, simbolizando a castidade, os retos pensamentos e a pureza de coração daquele santo homem. Pureza que o levou a ser invocado como protetor das famílias e dos operários.

    Ao seguirmos o exemplo de São José, os noivos, os pais, e principalmente os esposos, devem aprender de São José a ser uma pessoa de fé na educação e no carinho com sua família. A figura do Pai, como homem de fé é muito importante, São José não foi importante porque Deus o havia escolhido simplesmente. Ele foi importante na história da Salvação pelo homem de fé e valoroso em suas atitudes, pela sua coragem e responsabilidade, e o mais importante, era trabalhador, justo e dedicado. 

    A Bíblia não fala da morte de José, assim como não fala da morte de Maria, porque a Bíblia quer apresentar Jesus como centro principal, o Messias o Filho de Deus, sua obra e o que ele veio fazer por nós. Mas se quisermos entender bem quem foi José, basta ler as palavras de Jesus, seu carisma, seu jeito de falar, suia humildade, sua compreensão, seu amor paterno e ao mesmo tempo fraterno, sua entrega. Tudo isso um pouco veio do exemplo de São José.    

          

    sábado, 5 de março de 2011

    O ROSÁRIO-COMO ENTENDER ESTA FORMA DE DEVOÇÃO MARIANA

    Primeiramente devemos conhecer como foi o surgimento da devoção Mariana de se rezar o Rosário.
    Em 1917, no dia 13 de maio, Nossa Senhora veio ao encontro de três pastorinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco. Em um lugar chamado Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Apareceu sobre uma árvore, uma azinheira.


    Os videntes curiosos, e, querendo saber sobre aquela Senhora, qual era o seu nome lhe perguntaram como deveriam chamá-la. E ela se apresentou dizendo: "Eu sou a Senhora do Rosário." E pediu que eles rezassem o Rosário, pela paz no mundo, pela conversão dos pecadores e pela salvação das almas, pois segundo Nossa Senhora, muitos vão para o inferno porque não se converteram.


    Naturalmente não foi Nossa Senhora que inventou o Rosário,   já tinha descoberto essa maravilhosa maneira de rezar o que agradou muito a Jesus e principalmente à Mãezinha do Céu. Sabemos que o maior propagador da reza do Rosário Foi São Domingos de Gusmão. Maria Santíssima apenas veio trazer a aprovação do Rosário, nas mãos ela que oferece à toda humanidade cristã para que se torne conhecido. Ela nos pede fidelidade na oração do Rosário e promete a salvação à quem rezá-lo todos os dias. 

    HISTÓRICO:

    A história do rosário é complexa e, de certa maneira, tem relação com a difusão, no Ocidente, da prática da oração da Ave-Maria.

    A primeira parte da Ave-Maria (começando com “Ave, Maria, cheia de graça...” até “bendito é o fruto do vosso ventre”) é a mais antiga e está composta pelas palavras do Evangelho de Lucas, na parte da Anunciação (Lc 1, 28) e da visita a Isabel (Lc 1, 42).

    Desde os primeiros séculos, o mundo cristão usou a saudação do anjo Gabriel com intenção cultual (diversos hinos litúrgicos são exemplo disso; entre eles, o mais famoso é o hino Akathistos, que retoma continuamente o “Ave” de Gabriel, celebrando Maria no mistério do Verbo encarnado.

    No entanto, sabemos também, de fontes históricas, que, na Igreja Ocidental, essa primeira parte da Ave-Maria foi introduzida, no século VI, na liturgia do IV domingo do Advento e depois na liturgia da Anunciação (século VII).

    É somente entre os séculos XI-XII que encontramos um uso generalizado e popular da oração da Ave-Maria (sempre até “bendito é o fruto do vosso ventre”), e frequentemente, nesta época, os concílios recomendavam que a oração fosse ensinada aos fiéis.

    Nessa mesma época, nos mosteiros, começou a prática do rosário, chamado de “Saltério da Ave-Maria” (havia outro “Saltério do Pai-Nosso”): uma repetição devota da Ave-Maria, 150 vezes, substituindo os 150 salmos (saltério) para os monges que não sabiam ler.

    No século XIV, o “Saltério da Ave-Maria” foi subdividido em 15 dezenas, intercaladas com a oração do Pai-Nosso. Nesse período, espalhou-se a lenda da instituição do rosário por parte de São Domingos; na realidade, como vimos, o saltério mariano está documentado antes de São Domingos, mas foi ele e seus frades pregadores que, usando esta forma de oração, contribuíram para sua difusão.

    No século XV, a oração da Ave-Maria foi completada com o nome de Jesus (“... fruto do vosso ventre, Jesus”) e com toda a segunda parte: “Santa Maria, Mãe de Deus...” (cujo texto mais antigo parece ter sido formulado, um pouco antes, no santuário da Santíssima Anunciação de Florência).

    Desse período procedem as primeiras tentativas de conjugar a oração da Ave-Maria com a mediação dos principais mistérios evangélicos, e o saltério mariano mudou de nome, para chamar-se “rosário da bendita Virgem Maria”.

    Finalmente, em 1569, o Papa Pio V, com a bula “Consueverunt romani pontifices”, consagrou uma forma de rosário que é praticamente idêntica à que usamos ainda hoje.

    Este complexo percurso histórico nos diz que tanto a oração da Ave-Maria quanto a do terço nascem da fé da Igreja em Cristo, Verbo eterno, que se encarnou no ventre de Nossa Senhora para a nossa salvação.


    “O interminável louvor que o rosário tributa a Maria tem seu fundamento em Jesus, a quem se dirige todo louvor. Os louvores dirigidos a Ela buscam apenas proclamar e defender com toda severidade a fé em Jesus como Deus e como Homem. Toda Ave-Maria recitada em sua eterna memória nos recorda que houve um Homem que, sendo eternamente beato, não desprezou, por amor aos pecadores, o corpo da Virgem” (cardeal Newman).

    A existência do Rosário não está ligada apenas ao cristianismo, como é o caso dos povos orientais que usavam esta espécie de "terço" um cordão com contas onde recitavam palavras, suas "orações" por assim dizer como uma espécie de mantra. Palavas repetidas várias vezes. Talvez seja esta a fonte de inspiração para que fosse criado o terço bizantino e o Rosário Mariano. O fato é que este tipo de Oração, muito singela e simples passou a ser uma das mais ricas formas de devoção mariana dentro da Igreja Católica. Ao mesmo tempo que ele também é uma forma de Oração catequética. 
    Nossa Senhora aprovou o Rosário e quis fazer dele o ponto central das Orações a ela dirigida, pois ao mesmo tempo o Rosário nos liga a Jesus por intermédio de Maria. Ele é como uma corrente sagrada que nos liga a Jesus ao mesmo tempo que meditamos os mistérios da Encarnação, da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus bem como as glórias de Maria Santíssima. Das devoções marianas o Rosário é o mais completo e por isso, o mais apreciado pela Igreja.   


    Antes do Terço Mariano, já existia o Terço Bizantino, (surgido na Igreja do Oriente), que consistia em repetir uma pequena oração várias vezes. Esse terço era desconhecido até então por nós, mas no Brasil, foi divulgado pelo Padre Marcelo Rossi, onde atrai inúmeros fiéis. Foi muito bem aceito  entre nós católicos ocidentais e americanos. Também é uma fonte de bênçãos.

    Sabe-se que uma boa palavra de incentivo, inclusive a Palavra de Deus ou uma oração, se repetida várias vezes, produz um efeito positivo tanto na alma, como no nosso psicológico fazendo muitos efeitos saudáveis, inclusive pela fé, a graça da cura.

    O Rosário traz duas particularidades de suma importância: 

    1) Pelas mãos de Nossa Senhora são distribuídas muitas graças dadas por Jesus por seu intermédio. 
    2) Quando se reza o Rosário de maneira correta, meditando os mistérios da Rendenção estamos ao mesmo tempo ligados ao próprio Evangelho e sempre lembrando o amor de Deus Pai por nós.
    O Rosário também coroa continuamente Nossa Senhora com as palavras do Anjo Gabriel no momento da encarnação. Cumprindo o que foi dito pelo Magnificat, "Doravante todas as gerações hão de chamar-me de bendita, porque o Senhor me fez maravilhas!" ... Com a oração das Ave-Marias exaltamos a grande obra do amor de Deus por toda humanidade na pessoa de Nossa Senhora medianeira de todas as graças.


    Certamente o Rosário não foi inventado por Nossa Senhora. Os relatos das aparições dão a entender que ele já existia. Em um dos relatos de Ir. Lúcia, uma das videntes  perguntou o que a Virgem Maria desejava deles, e ela disse que queria que rezassem o Rosário. Em nenhuma das narrações de Ir. Lúcia achamos nada que diz que Nossa Senhora tenha inventado o Rosário. Pelo contrário, segundo as narrativas dá para entender claramente que ele fazia parte da devoção popular. Nossa Senhora disse: "Quero que rezem o Rosário todos os dias!" - "Querer" dá o sentido de que, eles já sabiam rezar o rosário, ou pelo menos viu seus pais ou outras pessoas rezarem ao mesmo tempo que aprenderam sabiam do que se tratava.

    O que aconteceu é que Nossa Senhora aprovou a Oração do Rosário e pediu que eles divulgassem essa devoção. Pois, certamente o Rosário é uma das formas mais belas de Oração, porque inclui o Filho à Mãe e a Mãe ao Filho e juntos a Santíssima Trindade, traçando um elo contemplativo do mistério da nossa Salvação. Ou como dizemos na jaculatória: "Tudo por Jesus, nada sem Maria!"       

    Deus com certeza através de Nossa Mãezinha do Céu aprovou este tipo de Oração, porque certamente é uma das formas mais completas de se contemplar todo o mistério da nossa Redenção, vida, paixão e morte de Nosso Senhor e além disso as doces palavras pronunciadas pelo Anjo Gabriel a Nossa Senhora no momento da Anunciação. É a forma de Oração que mais agrada Nossa Senhora e o segredo para quem quer alcançar inúmeras graças. Pois através de Nossa Senhora louvamos e adoramos a Trindade Santa e somos agradecidos pela graça da salvação. É na Oração do Rosário ou do Terço que cumprimos a profecia onde Nossa Senhora disseno canto do Magnificat: "Por isso, de agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada!" (Lc1, 48).


    A chamamos bendita entre todas as mulheres e bendito o fruto que nasceu do seu ventre, Nosso Senhor Jesus. Por isso o Rosário foi trazido por Maria para ser uma fonte inesgotável de graças.
    Nós alimentamos do Pão da vida que é Jesus, o alimento e sustento da nossa alma. Digo que o Rosário é como um complemento alimentar de fé que inunda a nossa alma e nossa vida e nos nutre de seu Filho Jesus. Pois Nossa Senhora  através do Rosário nos dá o meio de obter a santificação das famílias e a salvação. Quem reza do Rosário ou o Terço tem a promessa de Nossa Mãezinha de ser assistido na vida e na morte. Conforme Ela prometeu aos pastorinhos em Fátima.   

    Nossa Senhora traz o Rosário, como um presente aprovado por Deus, e cujo, deveria atrair muitas graças sobre quem rezasse com fé. Sobretudo a graça da paz e de ser assistido na hora da morte pela Mãezinha do Céu. Pela oração do Rosário as graças prometidas são inúmeras, mas as mais importantes são: 
    1 - Livrar-nos- da condenação eterna, quando rezamos: "ó meu Jesus, livrai-nos do fogo do inferno!"
    2 -  Aliviar as almas que padecem no purgatório, quando rezamos: "levai as almas todas para o céu principalmente as que mais precisarem!"
    3 -  Conceder por meio dos imaculados corações: de Jesus e Maria a paz no mundo e principalmente a conversão dos pecadores. Segundo Nossa Mãezinha, muitos vão para o inferno, isto é a morte eterna por não se converterem a Jesus seu filho.
    4 - Obter a paz no mundo e a santificação das famílias por meio da consagração ao Imaculado Coração de Maria.  

    COMO É O ROSÁRIO?

    O Rosário é composto de 20 mistérios contemplativos, 203 ave-Marias, 20 Pai-Nossos.
    Para facilitar o Oração do Rosário ele foi divido em 4 Terços.
    Cada terço possui:
    1 Oração do Creio (oração inicial do terço, na Cruz do terço)
    5 Pai-Nossos (rezado e meditado nas 5 contas separadas a cada dez ave-Marias)
    18 - 3 ave-Marias em honra da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo  (nas 3 primeiras contas juntas) e as outras nas dez contas juntas subseqüentes. 
    5 meditações dos mistérios do nascimento, vida, paixão e morte de Jesus, isso também Nossa Senhora. Porque ela se alegou e sofreu por nós com seu Filho por nossa salvação. (rezado e meditado depois das dez ave-Marias) 
    1 Salve-Rainha. (Rezado geralmente na medalha que une as 3 pontas do terço. Veja as explicações na ilustração baixo:


    COMO SE DEVE REZAR O TERÇO?






    É recomendável que se reze 4 vezes ao dia, dividindo-o em terços, por exemplo: 
    O primeiro pela manhã, o segundo ao meio do dia, o terceiro as três ou seis oras e o último à noite.
    Mas também se preferir, para não ficar cansativo pode rezar um em cada dia da Semana. Para isso a Igreja selecionou os dias em que cada mistério deverá ser contemplado:


    DOMINGO - Mistérios que contemplam a Ressurreição, Ascensão, a vinda do Espírito Santo, a Assunção de Maria e a sua Coroação. São chamados de Mistérios GLORIOSOS.


    SEGUNDA-FEIRA - Contemplam-se os mistérios que se refere a Anunciação e Encarnação de Jesus. Chamados de Mistérios GOZOSOS OU DE ALEGRIA


    TERÇA-FEIRA - Contemplam-se os mistérios que se refere a paixão de Nosso Senhor. Chamados de Mistérios DOLOROSOS OU DE SOFRIMENTO.


    QUARTA-FEIRA - Contemplam-se novamente os mistérios GLORIOSOS 


    QUINTA-FEIRA - Contemplam-se novamente os mistérios LUMINOSOS OU DA LUZ. Que se refere a Manifestação de Jesus como Filho de Deus. 


    SEXTA-FEIRA - Contemplam-se novamente os mistérios DOLOROSOS.


    SÁBADO - Contemplam-se novamente os mistérios GLORIOSOS ou pode se quiser Contemplar os da LUZ.  


    Então agora podemos entender que o Rosário a união dos 4 Terços.

    QUAIS SÃO OS MISTÉRIOS?

    Chamamos de mistério a história da encarnação, paixão e morte de Jesus. E esses mistérios estão ligados à Nossa Senhora, como já disse. Sendo assim podemos distingui-los em 05 partes meditativas que são: 


    Mistérios Gozosos ou da alegria (segunda e sábado)


    1.Mistério - A anunciação do Anjo Gabriel à Nossa Senhora. ((Lc1, 16-38)
    2.Mistério - A Visita de Nossa Senhora a Isabel, sua prima. (Lc1, 39-56)
    3.Mistério - O Nascimento de Jesus em Belém. (Lc2, 1-21)
    4.Mistério - A apresentação do Menino Jesus no Templo. (Lc2, 22-40)
    5.Mistério - A perca e o encontro do Menino Jesus. (Lc2, 41-52)


    PARA REZAR TODO O ROSÁRIO, DEVE-SE CONTEMPLAR TODOS OS MISTÉRIOS.

    O Terço deve ser uma oração contemplativa e meditativa, deve ser rezado devagar, com consciência e devoção. Procurando meditar cada palavra desta oração inclusive os mistérios. Se preferir poderá fazer a leitura na Bíblia de cada uma das passagens dos referidos Mistérios. Rezar o Terço de forma correta é muito importante e frutuoso.  
    Quantos Terços ou Rosários já rezamos sem nos darmos conta da beleza desta forma de Oração?
    O Rosário se não for rezado pensando e vivenciando cada palavra proferida, não passa de um simples repetir de frases e palavras. Mas ele deve ser vivenciado, meditado e contemplado. De modo que possamos absorver todo valor desta Oração e consequentemente os frutos que ela produzirá.